Dúvida do passado

Toda a sexta, o bar ao lado do trabalho coloca uma música alta – normalmente pagode – para entreter os clientes. Ontem, entre um SPC e um Molejo, rolou um som antigo, fora dos padrões da casa, que reacendeu uma dúvida:

Tudo bem que a gente sabe a diferença mas, afinal, é melhor aparentar “bonito” ou “elegante”?

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Os The Tudors

The Tudors

Eu e A Moça começamos a ver “The Tudors “. Ainda é cedo para saber ao certo se vai virar uma série recorrente lá em casa, mas promete. Ao contrário de Nip/Tuck e Dexter, que achei que seriam um sucesso (talvez as cenas mais gráficas tenham sido um problema), as histórias de Henrique VIII tem sido solicitadas sempre que temos um tempo disponível. É claro que a corte inglesa também sabe ser bastante gráfica, mas em outro sentido, é claro…

Não conhecia trabalhos anteriores do Jonathan Rhys Meyers (Rei), Maria Doyle Kennedy (Rainha), Natalie Dormer (Ana Bolena), Jeremy Northam (Thomas More) e cia. – o único que reconheci de imediato foi o cardeal Wolesy, interpretado otimamente pelo Sam Neil – mas o elenco está excelente.

Ainda estamos no 6º episódio da 1ª temporada mas já está com cara que logo ficaremos aguardando a terceira temporada, recém-confirmada. Cada uma tem poucos episódios – 10 apenas – o que deve dar um arco de história curto porém gratificante. Entretanto, tem alguns pontos que me deixam, digamos, intrigados (Atenção: contém alguns spoilers!*):

  • Superprodução é um termo bastante utilizado para descrever a série. Concordo, especialmente nos figurinos, mas algumas coisas deixam um pouco a desejar. Exemplo: a corte portuguesa, por dentro, se parece incrivelmente com a francesa. Descontando a possibilidade que o arquiteto de ambos palácios tenha sido o mesmo, parece mais ausência de uma locação alternativa adequada.
  • Por falar em locação, as panorâmicas externas (ou mesmo internas, dentro de palácios) são a exceção devido, certamente, ao problema de montar um mega-cenário. Isso cria uma situação curiosa: tirando as cenas de na floresta, quanto mais aberta a área, mais claustrofóbica costuma ser a cena.
  • É verdade que, apesar de ser uma figura histórica de personalidade forte, até o momento a história parece passar de certa forma ao largo do rei em grande parte (isso ou então boa parte de reinar é reagir às tramas da corte ou às ações dos demais países europeus – quando não se está correndo atrás de um rabo de saia). Aliás, se existe uma coisa que o rei já deveria ter aprendido é que não vale a pena entrar em confrontos físicos: Na luta greco-romana com o rei da França ele se deu mal, quase matou seu amigo numa justa, quase se afogou ao tentar pular uma poça com uma vara e no último episódio perdeu uma queda de braço. Próxima meta: tentar ganhar uma corrida contra o coxo da corte.
  • É difícil acompanhar os nomes de determinados personagens. Ana Bolena, Thomas (o filósofo e não o pai das Bolenas), Henrique e Wolsey são moleza. Mas qual o nome do antigo namorado poeta da Ana Bolena? E o do tio dela? Os amigos do rei, por exemplo, estão em outro nível de complexidade; não tem como decorar mesmo… Para piorar, agora o monarca resolveu dar títulos a eles. Aí, ao invés de chamar de Charles, Brandon, ou até mesmo cunhado, chama de Duke of Suffolk – justo quando você já estava se acostumando.

Para resolver esse último ponto, na hora de conversar com A Moça, acabo mapeando determinadas pessoas pela aparência ou por semelhança a outras pessoas famosas. O que me levou a explicações do tipo “O barbicha tá tramando com o pai da Ana para derrubar o cardeal” e exclamações do tipo “CACETE! O Marcelo Antony pegou o Lenine!”

* Questão pertinente: como podem ser spoilers se são eventos históricos conhecidos há cerca de 500 anos?

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