Crítica: Vezpa

Eu vi quando o Vezpa abriu suas portas na antiga Siciliano da Ataulfo de Paiva, no Leblon, e fiquei impressionado com a decoração externa – desde as portas de correr pichadas com as letras do nome, até as cores e combinações de tipologias nos vidros. Porém, malandro que sou, deixei passar o soft opening, a inevitável reportagem no Rio Show e até mesmo o período de pico pós-notíca para experimentar a tal pizza, que prometia ser um intermediário entre as modelo “padaria” e “gourmet”.

Mas vejo que ainda assim fui precipitado…

Começamos com o dia, hoje, que faz um calor infernal no Rio. Sem brincadeira, deve estar coisa de 35 graus agora de noite lá fora. Sim, lá fora, pois lá dentro está uns 5 graus a mais. O ar condicionado não está ligado pois, com o forno aceso, não dá vazão. Mas também, né? Quem poderia ter previsto isso (se os clientes estão assim, imagina na cozinha…)?

Ao chegar, não há uma pessoa para te receber. Ok, faz parte do charme a descontração do lugar. Porém, após rápido diálogo, deu para ver que o conceito foi elevado a níveis beirando o “f*da-se”:

– Oi, tem como arrumar uma mesa para dois?
– Olha, não dá não. A gente não bloqueia mesas.
– Então como faz?
– Tem que ficar esperando uma vagar.
– Posso pegar essa aqui, que está pagando a conta?
– Não, essa é daquele casal ali, que já me avisou que queria essa mesa.
– Posso te avisar que quero uma mesa para dois lugares?
– Não. A gente não bloqueia mesa.
– Peraí, mas e o cas… opa! E aquelas duas ali que pegaram a mesa ao lado, que vagou enquanto a gente falava? Posso dizer que estava na frente?
– Não. A gente não bloqueia mesa.
– Então tem que ficar de plantão, esperando uma mesa vagar, e sair correndo pois outra pessoa pode pegar antes?
– Isso.

Conseguimos uma mesa na sequência e, após um pouco de confusão, pedimos a pizza – eu, uma 4 queijos; A Moça uma Vezpa (mozzarella com molho de tomate picante). A dela estava melhor do que a minha que, infelizmente, veio meio requentada. Aliás, acho que o gorgonzola e o catupiry estavam em falta. Insistimos: eu com uma Siciliana (mozzarella com massa alta, melhor do que a anterior por estar mais úmida)  e A Moça com uma vegetariana.

Ao longo da nossa estadia, vimos o lixo sendo compactado com a mão e, posteriormente, arrastado da cozinha pelo salão para ser depositado do lado de fora. Pelo visto, só me incomodou mesmo porque os outros clientes mantiveram firmes seus postos e nenhuma mesa ficou vazia. Impressionante…

O único ponto redentor mesmo foi o atendimento da Gerlândia – supersimpática, falante, empolgada com o trabalho e com a comida. Nós nem tanto com o jantar, infelizmente. Vindo da dupla que concebeu o Devassa, esperava mais tanto da pizza quanto da infra.

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